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Ser mãe… parte I

Eu, Grávida!

Eu sempre conto parte da minha história nos blogs que acompanho, às vezes pra tentar ajudar uma recém-mãe aflita, ou uma tentante igualmente aflita, ou até mesmo pra desabafar. Mas nunca contei aqui, no meu cantinho.

Como toda mulher na “flor da idade” (a-ha), lá pelos 4-5 anos de casada, o relógio biológico tocou: e resolvemos dar um passo, marido e eu, na escala evolutiva familiar – queríamos ter um herdeiro.

Parei o contraceptivo (foi num carnaval delicioso na praia) e logo em seguida a “monstra” não desceu. Eu tomava na época uma pílula de baixa dosagem, mas tomava há tanto tempo que a encrenca já estava suspendendo minha menstruação. Em consulta, minha GO achou que eu já estivesse grávida, fez toque, pediu exame e lá fui eu pro trabalho, assustada e nas nuvens – “Será? Tão pouco tempo sem tomar a pílula e já deu certo?” – Não, não deu.

Foi o primeiro negativo de muitos (perdi até a conta), durante cinco longos anos.

E sabe como é cabeça de mulher nessa situação, né? A ansiedade passa por cima de tudo e eu achava que cada sintoma de tpm poderia ser sinal de gravidez: seios doloridos, cólicas, sono, fome e por aí vai. Após o primeiro ano sem engravidar, partimos pras investigações. Marido fez espermograma, fiz ultrassons (descobri que tenho miomas – chorei horrores na época), fiz histerossalpingografia, controle ovulatório, de TSH, enfim, a corrida foi completa.

Os resultados? Tudo normal. Fomos inseridos num grupo chamado ESCA – os que sofrem de  Esterilidade Sem Causa Aparente. Consultei com especialistas em reprodução, fiz mais exames, e me foi sugerido de tudo, desde histeroscopia (retirada dos miomas) até inseminação artificial, SEM garantia de sucesso de gravidez.

Jamais aceitei fazer a inseminação, não entrava na minha cabeça, se eu não tinha problema físico nenhum, porque iria entrar num processo artificial e que não era garantia de sucesso? Eu sabia que não era por aí. Um dos especialistas que consultei (o bam-bam-bam daqui) tocou num ponto delicado da minha vida: eu estava obesa. Sempre briguei com a balança desde a adolescência, e aos 29 anos, pesava em torno de 85kg. Eu sabia que era obesa, mas uma coisa é você saber, outra é um médico lhe dizer isso, e pior, conjecturar que você não engravida por causa disso. Lá no meu íntimo, eu sabia que podia ser isso, mas era difícil aceitar, afinal eu via tanta mãe super-obesa por aí! Eu cheguei a iniciar um tratamento, mas era muito difícil conseguir seguir adiante. E coloquei na cabeça que naquela idade, eu não ia mais conseguir a proeza de emagrecer e ficar linda como quando eu cabia num manequim 42.

O tempo foi passando e minha cabeça piorando. Pra ajudar, todas ao meu redor engravidavam, parecia perseguição celestial. E cada ciclo menstrual completo era o fim do mundo pra mim. Me trancava no banheiro e me acabava de chorar, como se tivesse sofrido um aborto. Sonhava com bebês, me emocionava horrores toda vez que via um, e nada de engravidar. Numa das crises, cheguei a ficar muito doente, peguei uma gripe super forte…

Um belo dia, sofri um acidente no trabalho. A trava da cadeira que eu usava não prendeu quando regulei a altura dela e fui direto pra baixo, sentada. Na hora senti uma dor terrível, parecia que tinha enfiado uma faca na coluna. E quase quebrei a dita cuja, sofri uma protrusão discal na lombar. Iniciei tratamento e mais uma vez, ouvi que precisava emagrecer. Tentei novamente, sem vontade e sem sucesso, até que um dia, depois de empurrar um armário no serviço, travei na cama. Foram os piores dias da minha vida. Eu não conseguia me mexer, levantar, fazer nada, doía demais, uma dor tão aguda, que não eu não aguentava nem chorar de dor, sem contar a sensação de impotência, eu precisava de ajuda até pra ir ao banheiro, um verdadeiro horror. Então, resolvi que tinha que tomar vergonha na cara e tentar emagrecer com vontade. Procurei meu ortopedista, iniciei RPG, acupuntura, entrei pra academia e procurei um nutricionista, não tinha mais paciência pros endocrinologistas (dei o azar de só encontrar profissionais que me pesavam e mandavam voltar no mês seguinte). Mas o nutricionista, não. O “cara” é “O cara”. Adepto da medicina ortomolecular, ele também conversa em todas as consultas, aconselha, e prepara as fórmulas de acordo com o que você está sentindo no momento, e de acordo com a sua reação ao tratamento do mês anterior. O resultado? Em um ano joguei fora 22 kg e ainda reduzi medidas! Sabe o que é entrar num manequim que você nunca entrou? Pois é, eu cheguei a vestir 38!!!

Vamos então dar um pulo no tempo.

2008. Estou linda, magérrima, usando cintura baixa, cabelão no meio das costas, abusando de vestidos da moda e saltão, e com a coluna em dia. Ainda quero engravidar, mas graças a Deus, isso deixou de ser minha prioridade – acredite: viver em função disso enlouquece qualquer um, meu maridão que o diga – ele foi minha válvula de escape e meu porto seguro nesses anos todos.Aguentou minhas pirações, meu mau humor, meu chororô, sempre ao meu lado, me amparando, cuidando de mim – e nunca, mas nunca mesmo, me cobrando, é um poço de paciência, o meu amor-  Estou feliz, voltei a estudar inglês (uma das minhas paixões), estou viciada em The Sims e web design.

Em março deste ano, acontece o assassinato da Isabela Nardoni. Cada vez que a história aparecia na tv, eu chorava horrores e pensava: “Meu Deus, como pode acontecer uma coisa dessas? Uma menina com pai e mãe, terminar dessa forma horrível?” – isso me deu um estalo. A gente tinha tanto amor pra dar, não conseguíamos engravidar, e tem tanta criança por aí, abandonada, sofrendo maus tratos, precisando de um lar!

Então, cogitei pro maridão algo que nunca fez parte de meus sonhos

- adotar uma criança – conversamos e resolvemos que iríamos começar a estudar a questão, fazer levantamentos do que era necessário pra entrar no processo e talz.

Em junho, passamos o feriado de Corpus Christi num paraíso nas montanhas aqui do Estado. Eu não tinha muita noção de datas (oi? é a mesma pessoa que sabia a data que desceria, que sabia até quando estava ovulando??), mas sabia que devia estar prestes a receber a visita da “monstra”. O feriado passou e nada. No meio do mês, aniversário do meu pai, estávamos na festa e me olhei no espelho, me achei gorducha, com a barriga empolada e já comecei  a surtar – achei que estava engordando de novo, fiquei super aborrecida. Na semana seguinte fiquei encucada, tinha pontadas de cólica e nada de chegar a dita cuja. No dia 17, minha M’Aninha (que já devia estar “pelo talo” de me ouvir dizer que estava preocupada – vejam bem! eu não tinha a menor esperança de estar grávida, pra mim, eram os miomas “dando o ar da graça” – me disse pra fazer o exame de gravidez, pra desencanar. Se desse negativo, eu já poderia ir atrás de tratamento pros miomas. Acho que ela desconfiava de gravidez, mas o negócio na minha cabeça já era meio “tabu”, então, acho que ela não quis comentar…eheheheh). Uma colega de trabalho me “raptou” e levou pro hospital pra fazer o exame, que ficaria pronto às 16h daquele dia.

As horas passaram e acreditam que esqueci que tinha feito o exame?? Aninha que me lembrou.

Na frente do computador, com o site do laboratório aberto, a ficha caiu: eu podia sim, estar grávida!! Comecei a tremer, sem coragem de abrir o resultado. Ah, marido não sabia que eu tinha feito o exame, como já disse antes, não passava pela minha cabeça que poderia ter acontecido. Mas aconteceu. Abri o resultado, e simplesmente estava escrito: “positivo“, sem parâmetros ou números, simples assim.

Emburreci.

Perguntei pra Aninha, se “positivo” era “positivo” – ela morreu de rir e disse: “Você está grávida, mulher!”

Minha cabeça virou do avesso, “como assim, grávida?? EU ?? Isso realmente aconteceu comigo??” Abri o berreiro, assustei meu chefe, foi uma comédia!

E no terceiro dia mais feliz e planejado da minha vida, eu não sabia o que fazer – por anos, fiz planos de como contar pro Marcelo, eu me via indo no serviço dele contar, ou então dando o clássico presente do parzinho de sapatinhos, e por aí vai. Mas na hora “H”, travei. Aninha sugeriu então, passar um fax (mas hein?! ahuahuhauha) – e fui na onda, passei o fax e o avisei pelo Skype. Segundos depois, a resposta dele:”Hã?!” Liguei pra ele e disse: “Você vai ser papai!!”- foi lindo demais, nada se compara à sensação daquele dia, essa emoção só foi suplantada pela emoção que senti quando Arthur nasceu. Uns dias depois, ele me contou que também não “entendeu” o resultado, teve que mostrar pro chefe dele pra conseguir entender…eheheheh

E assim, embarcamos na realização de um sonho de anos.

A gravidez? Esta merece um capítulo especial, amanhã eu conto…eheheheh

Em tempo:

O primeiro dia mais feliz da minha vida: meu casamento com o homem da minha vida !

O segundo dia mais feliz? O nascimento do Arthur! Com gosto de sonho realizado, de vida nova, de alegria!

Beijo grande, amanhã conto sobre a gravidez!

O Primeiro dia do resto de nossas vidas…

29 de janeiro de 2009 – 8h00m

Deitada na maca no centro cirúrgico, eu aguardava. O anestesista estava atrasado. Meu obstetra chamou então, outra anestesista. Ela se aproximou, me deu bom dia, e explicou como seria o procedimento: eu ia me sentar “enrolada” pra ela poder localizar o ponto onde aplicar a anestesia peridural. Expliquei que tenho uma protrusão discal na lombar, e ela me pergunta:

-”Em que altura”? – Putz, não lembro.

- “Hum, entre a s3 e L4, algo assim”. – Ela me olha desconfiada e começa a cutucar minha  coluna na região da lombar até eu reclamar.

- “É aí que dói”?

- “Hum-hum.” -  depois disso, tomo umas três agulhadas doloridas até ela acertar o ponto e aplicar a bendita anestesia. eles me deitam, amarram meus braços e fico mais um tempo esperando a anestesia “pegar”. Minha cabeça está vazia, por incrível que pareça. Depois de cinco anos tentando engravidar, finalmente vou ter meu filho nos braços. Nenhum medo me incomoda. Nem a demora. Nem o tubo chato que enfiam no meu nariz. Parece que fui anestesiada por completo.

Então, finalmente começa: O Dr Borneo chega, com a pediatra e uma enfermeira do lado, e começa o procedimento. Me dá vontade de rir, me lembro dos episódios de “Grey’s Anatomy” em que os cirurgiões discutem de tudo, até sexo, na frente do paciente que estão operando. Mas meu obstetra é discreto, fala aos cochichos com a enfermeira. De repente, ele me avisa: Vai ser agora, querida, vou te sacudir um pouco. Sacudir? Ele me chacoalhou, isso sim! Me deu vontade de rir novamente, ele me chacoalhava tanto, que parecia que Arthur estava colado dentro de mim! Depois de mais uns sacudões, ele grita:

- Pronto! Nossa, que sacudoooo!! -  filho, desculpa, mas era grande mesmo…ehehehehe – acho que Arthur não gostou do comentário, e abriu o berreiro, e minha ficha finalmente caiu: – “Caramba!! Ele está aqui! eu sou Mãe!!”

Dr Borneo trouxe meu filhote pra perto de mim e eu senti aquele momento mágico: meu filho, aos berros, ao ter seu rostinho encostado no meu, parou na hora de chorar… e aí quem abriu o berreiro fui eu. Ali estava, do meu lado, vivo, respirando, perfeito, o sonho que acalentamos por tantos anos. Nosso amor vivo, transbordado, em forma de uma pessoinha gorducha e encantadora.

Hoje, um ano depois, meu filhote já anda, fala bebelês, reconhece a família e os objetos, e me encanta cada dia mais! Sua capacidade de raciocínio fica cada dia mais afiada e ele, ousado que é, já quer correr, subir nas coisas e explorar tudo que vê pela frente… ehehehehe

Eu posso dizer que a Maternidade me trouxe profundas mudanças – estou mais paciente (Ê, estou sim, podem acreditar, ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas melhorei muuuitoooo), menos ansiosa e muito, mas muito apaixonada pela vida. Sabe aquela coisa de lição de vida, que a gente precisa passar por um momento muito especial pra começar a amar as pequenas coisas?  Está certo que eu choro por qualquer coisa (já era chorona, hoje sou mais…ahahaha),tudo me emociona, mas é uma emoção boa, saudável, que me faz muito bem…

Estou infinitamente mais feliz e completa, sim, existe cansaço, noites mal-dormidas, dores na coluna, impaciência, mas cada sorriso dele compensa toda e qualquer dificuldade… ver uma criança crescer, desenvolver-se, interagir com o mundo ao seu redor é simplesmente divino!

E estou apaixonada pelo meu marido como pai. Amo vê-lo namorando nosso filho, o sorriso em seu rosto, o amor transbordando dos olhos, o zelo que ele tem para com Arthur e para comigo… amor, te amo hoje mais que ontem, e amanhã te amarei muito mais!

Enfim, Sou Mãe. A Mãe do Arthur – a pessoa mais babona e feliz desse planeta!

Beijo grande!

Um Ano!

Um Ano!

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