
Este fim de semana assistimos “Tropa de Elite 2″. Adorei.
Assisti o primeiro no cinema, de olhos fechados, 99% do tempo (o jogo nervoso de câmera atacou minha labirintite), e marido quis ir embora, mas eu disse: “Não, to adorando, e dá pra “assistir” de olhos fechados” :lol
Tudo ali me impressionou, a história, o Capitão Nascimento (me desculpem os defensores dos direitos humanos, mas assassino e estuprador não pensa nisso na hora de cometer seus crimes, ou vocês acham que pensa?!), a força passada pelos diálogos crus e pesados e a sensação de que justiça existe, mesmo que seja em película. Até hoje a música tema me arrepia, me dá uma sensação (ainda que falsa) de segurança e de que nem tudo está perdido. Na época do primeiro filme, trabalhava no mercado de vídeo, e antes mesmo de começar a oferecer o filme às locadoras, já travávamos uma mega batalha contra a pirataria – a empresa que autorou o dvd “vazou” o filme para os pirateiros – uma beleza, né? Mas nada impressionante, num País em que a autoridade máxima já alardeou aos quatro ventos que assistiu a uma cópia pirata de um filme de produção nacional…
Mas enfim, “Tropa de Elite 2″. Anos após ter se separado da esposa, o Coronel Nascimento está de volta. Comandante Geral do BOPE, sua vida dá uma reviravolta após um quase enlouquecido capitão Matias desobedecê-lo e comandar um massacre no Presídio Bangu I. Prestes a ser exonerado, Nascimento é alçado ao posto de herói pela população, que acredita que “bandido bom é bandido morto” ( você não acha?!), o que não deixa aos politiqueiros de plantão outra opção a não ser premiá-lo pelo feito, alçando-o ao posto de Subsecretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro. E o bode expiatório passa a ser o Capitão André Matias, magistralmente interpretado pelo André Ramiro – que em determinado ponto do filme se vende ás milícias para poder voltar ao BOPE – e paga um alto preço por não se deixar corromper totalmente.
O Cel Nascimento consegue trazer o BOPE (desacreditado e desestruturado) de volta às origens, e acaba com o tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro. Mas acaba gerando um inimigo ainda maior e mais forte: as milícias, que passam a ser a base financeira da politicalha que manda no País. E ele descobre, talvez tarde tarde demais, que seu inimigo agora é outro…
É um filme que desnuda a corrupção política e moral que assola nosso País. Sem medo de dizer o que todo mundo pensa, e cutucando com sutileza (“Qualquer semelhança com a realidade é apenas uma coincidência. Essa é uma obra de ficção“). No decorrer da história dá até um medinho que o Cel Nascimento se renda ao cansaço, principalmente quando ele percebe quem é o real inimigo e seu filho fica entre a vida e a morte no hospital.
Mas ele é um guerreiro, e vai até o fim na luta , entregando tudo e todos numa CPI aberta pelo até então seu maior inimigo: um defensor dos direitos humanos que o critica o tempo todo e ainda por cima se casou com sua ex-mulher! No final da história, chega a ser bonita a união dos dois, finalmente em busca de um interesse comum.
Denso, frio e realista, é um dos melhores filmes que já assisti (tudo bem, um “pouquinho” atrasada, mas assisti!!). Terminei o filme de alma lavada – e triste, porque o Cel Nascimento só existe na ficção.
Beijo grande!