De Perdas e Recomeços

Em 20 de março, o D’Artagnan partiu. Infelizmente, tivemos que sacrificá-lo, pois estava em sofrimento.

Sofri, chorei, mas estava preparada para o que aconteceu. Era uma questão de tempo, como eu disse aqui.

Mas o que eu não esperava, era que o Aramis, filho do D’Artagnan, que estava geneticamente fadado à mesma doença do pai, partisse em seguida, de forma tão rápida. É, ele partiu, no dia 12 de abril.

Uns dias antes,  ele começou a engasgar e a não comer direito. Pensei que tivesse ficado “mal acostumado” com a dieta mais relaxada que adotamos durante o tratamento do pai dele. Comprei patês, biscoitinhos, ração especial. ele nem se mexeu quando cheguei com as novidades. Então começou a “chiar” o peito . Marido levou no veterinário, que o internou e fez nebulização, exame de coração. No dia seguinte ao visitá-lo, ele estava respirando bem e com aquela carinha de mal humorado, do tipo “porque eu estou aqui?” – ainda faltava fazer um raio x, que seria feito no dia seguinte. Marido passou à noite na clínica e o levou pra casa, com recomendação de fazer nebulização para que passasse bem a noite. O veterinário estava desconfiado de enfisema pulmonar. Enquanto Marcelo fazia o Arthur dormir, eu fui fazer a nebulização. Coloquei o Aramis na caixa de transporte, preparei os remédios que o vet mandou, cobri a caixa e coloquei o tubo na entrada. Aramis deu umas reclamadas, mas depois se acalmou. De tempos em tempos, eu ia olhá-lo – nebulização de 20 minutos. Marido veio pra sala e me contou o que o vet tinha dito, que não havia descartado morte súbita. Fui ficando nervosa e receosa. Olhei de novo, ele estava bem. Ao abrir a casa pra retirá-lo, nosso gato havia partido.

Inacreditável, terrível, insuportável. Em quatro minutos.

Aramis, que eu acreditava que ainda viveria uns dois anos ou mais, partiu. Em quatro minutos.

Passei alguns dias terríveis, chorando pelos cantos, me escondendo do Arthur pra chorar, pensando se a gente havia dado todo o amor e carinho que eles mereciam. Como eu disse, morte com hora marcada é uma coisa. Morte súbita é outra. Dolorosa e profunda.

Hoje estou bem melhor. Mais conformada. Com a idade que eles tinham. Com o fato que hoje não sofrem mais e estão ao lado de seres que certamente lhes estão dispensando cuidados e carinho.

Mas ainda acho que vou ver o Aramis dormindo no piso do banheiro. E ainda penso nas estratégias de como comer milho verde na espiga, sem que o D’Artagnan coma tudo antes de mim.

Arthur pergunta de tempos em tempos onde estão os gatinhos. Digo que foram pro céu, morar com o Papai do Céu. Ele pensa um pouquinho e se dá por satisfeito. Acompanhou o processo de doença do Darta, sabia que ele era velhinho e estava dodói. E também entendeu quando expliquei que o Aramis estava dodói, mas ainda não absorveu o conceito de morte, e isso me conforta. É muito novo pra sofrer. E é por isso que tão cedo não quero mais nenhum bichinho. Já perdi outros gatos por complicações da idade, mas nunca precisei lidar diretamente com a morte. Esse papel ficava com os meus pais. Agora foi a minha vez, sei que acontecerá novamente, mas somente quando eu me sentir pronta pra encarar. Porque vou te falar, não é nada fácil, viu?

Às vezes acho que a gente é bicho besta, arruma o pet, cuida, pega amor, pra depois sofrer com a perda. Mas faz parte do nosso crescimento. Estamos aqui de passagem, pra aprender, educar, crescer como seres humanos. E galgamos mais um degrau nessa longa escada.

É isso.

Beijos!

 

 

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