Em algum momento entre novembro e dezembro de 2011.
Toca o telefone.
Atendo, é meu pai.
-”Filha, inscrevi o Arthur na fila de espera da Escolinha do …”
-’Oi?’
-”É, na fila de espera da escolinha!”
-’Hum. Que posição ele está?’
- “Quadragésimo” – Em respeito ao meu mui amado pai, engulo o riso. Arthur ficou em trigésimo segundo no ridículo sorteio da escola municipal do bairro. Só em sonho pra ele conseguir uma das vagas.
-’Ah, tá’ – respondo, já mudando de assunto.
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Segunda feira passada, dia 13/02/2012. Toca o telefone.
Atendo, é minha mãe.
- “Filha, saiu a vaga pro Arthur no colégio!”
- ‘Oi?’
-”É! anota aí o que precisa…” – e a conversa se estende, em detalhes de documentação, datas, etc.
Putz, nem esperava mais que o Arthur fosse estudar esse ano. As escolas particulares do bairro são um absurdo de caras – não que não valham o preço (pode até acontecer de não…eheheh), mas não cabem no nosso bolso. O colégio, além de menos caro, é uma instituição renomada e muito elogiada pelos pais de alunos de lá. Pensamos, pesamos os prós e os contras, e resolvemos matricular o Príncipe. Papai pergunta pra ele:
-’Filho, você quer ir na escolinha?’
-”Eu quelo, eu vou estudar!” – papai e mamãe ficaram inchados de orgulho!
A questão é que já estava passando da hora dele iniciar na escolinha. Arthur já entende tudo, participa das conversas, e o primordial, na minha opinião, numa situação dessas: ele se comunica, conta tudo o que lhe acontece, e ainda questiona algumas coisas.
Na quarta-feira, levamos o pequeno à escola. Fizemos a papelada toda e quando fomos conversar com a pedagoga, a secretária pergunta pro Arthur:
-”Arthur, quer ir conhecer sua tia e seus coleguinhas?”
- ‘Quelo’
-”Então me dá a mãozinha. Dá tchau pro papai e pra mamãe” – ganhamos um tchau meio já indo, e ficamos os dois, parados, no fim do corredor, vendo nosso pequenino ir pra salinha, seguro de si, sem olhar pra trás. Claro, sobrou pra mim: “ah, mãe, é você quem vai precisar de adaptação!”-tá, vai rindo… e assim foi, o pimpolho ficou o resto da tarde na escola, enquanto saímos pra comprar uniforme, materiais e etc.
Na hora da saída, portão fechado, mães e pais começando a se aglomerar no portão. Algumas mães entram antes e já saem com seus filhos. O portão abre, e lá vou, coração aos saltos, pegar meu filhote. Chego na porta, ele me vê, corre pro meu colo e já abre o berreiro. Penso: “putz, mas será que já morderam/beliscaram/bateram no meu filho??” – A professora explica que ele começou a ver os coleguinhas saindo (um privilégio que não me avisaram que eu tinha, por ter filho em adaptação, poderia entrar antes pra pegá-lo..afe), e desesperou, achando que eu não viria. Meu coração ficou em mil pedaços, enquanto ele soluçava e dizia que estava com saudades…
Ontem, fiquei até a hora do recreio com algumas mães também em adaptação. Troca de ideias muito legal, e percebemos que juntas, podemos mudar o mundo! Ah, a força das mães! Na hora da saída dei uma “carteirada” de “mãe em adaptação e entrei antes pra buscar o filhote. Já encontrei com uma de minhas novas amigas, com o filho (que já anda junto com o Arthur, um barato como eles se juntam logo!), e ela me disse que assim que Arthur a viu, perguntou de mim (ele nos viu conversando na hora da entrada, é mole??), e ela prontamente respondeu que eu estava chegando. Ao me ver, outro abraço apertado, ele pega meu rosto entre as mãozinhas, aperta e diz que estava com saudades… morri e fui ao paraíso, quase chorei! Graças a Deus, uma saída mais tranquila.
Hoje, deixei-o na escola e fui embora. Na hora da saída, a turma estava entretida com um vídeo do “Patati-Patatá”. Sentadinho no chão, estava tão ligado no vídeo, que nem me viu. Chamei, a Tia chamou duas vezes – ele só percebeu quando minha mãe, que estava junto, abaixou-se e acenou. Veio correndo pro colo dela, já fazendo beicinho, porque ainda não tinha me visto, mas assim que viu, ficou tudo ótimo!
Ele reclama um pouco das proibições, que a tia não deixou isso, ou não deixou aquilo .Normal, nunca teve muitas regras em casa, salvo rotinas de banho e sonecas, então demora um pouquinho pra se adaptar. Não gosta de ficar conversando sobre a escola, se a gente começa com muita pergunta, ele já diz que não gostou e pronto…ehehehe mas se deixamos a coisa rolar solta, ele abre o verbo e vai contando tudo! O apetite e sono norturnos deram uma boa melhorada, exceto por hoje, que demorou a dormir, apesar de cansado. No geral, está muito feliz, é muita coisa nova ao mesmo tempo, acho que está até bem tranquilo com tanta mudança!
Quanto a mim, bem… sou bem tranquila em muitos aspectos, reajo conforme as reações dele. Vê-lo chorando por medo de que eu não fosse buscá-lo partiu meu coração. Não pretendo que isso aconteça nunca mais! Faço uma ladainha enorme com ele, que vou estar lá na saida, que nunca vou deixá-lo, que ele pode ficar tranquilo, mas ainda o sinto inseguro. Mas não tem jeito, só tempo vai resolver isso. Me sinto estranha, dona de uma liberdade culposa. Ficar longe daquele que é o centro do seu mundo, sem participar do que ele está fazendo é extremamente esquisito. E sinto um orgulho danado do meu filho, que está encarando as mudanças em sua vidinha tão curta com muita garra e coragem. E choro. De medo, de alegria e de orgulho.
E vamos em frente!













Ele parece um menino tão grandão nessa foto…. rs.
Está lindo, e ficando muito, muito, muito esperto!!
Amo muito!!! =*_*=
Adorei seu post!!! Luna, minha #aos2, no ano passado também chorava quando via as mães dos coleguinhas chegarem e eu não! Então expliquei que eu i chegar depois das outras mães, mas chegaria e ela entendeu e nem tinha dois anos ainda! Sempre chego uns 10 minutos depois e pra uma criança pequena isso é muito!
Beijão.
P.S.: Cheguei aqui porque vc está no post da minha amiga querida Rogéria Thompson! rsrs
My recent post Relato de Parto do meu BB #blogagemcoletiva
Amiga! Não me contibve e abri o berreiro lendo o seu post! Parabéns pela coragem sua e do filhote! Bjo