EU e meus três avôs…

Sabem, eu tive três avôs.

Dois maternos e um paterno.  Nenhum deles vive mais entre nós.

O primeiro a partir foi o Vô Nelson, em 1988. Era o pai biológico da minha mãe, e só fui conhecê-lo aos 8 anos. Coisas da vida, né? Apesar do pouco tempo que convivemos, aprendi a amá-lo e sei que fui (e sou) ainda muito amada.

O segundo, meu querido Vô Babá,  avô paterno, se foi há alguns anos – parece incrível, mas não consigo guardar a data de sua passagem. Mas lembro de muitos, muitos momentos deliciosos com a famiglia reunida, os oito netos derrubando a casa e ele sentado na sua “cadeira do papai” (na qual ele havia prendido com durex o controle remoto da tv, que vivia sumindo…ehehehe), ou jogando pela janela tudo que achava fora do lugar, ou ainda passando pixe no muro baixo do condomínio, onde os netos se reuniam com os amigos em altas e longas conversas, atrapalhando a tv…ahahaha  esse vovô chegou a celebrar bodas de ouro. Quando partiu, achamos que minha avó não aguentaria, mas graças a Deus, ela está linda, firme e forte, vivendo com minha tia.

E hoje, meu último avô vivo nos deixou. De forma rápida e inesperada. Uma ida ao hospital para um exame de sangue…e pronto. Ele se foi.

Eu cresci com ele, o Vô Benedito. Segundo marido da minha avózinha querida, paixão platônica. Ele soube esperar por ela. E a tratava como uma rainha. E se tornou avô de todas nós, as cinco netAS da família. Daqueles avôs que fazem tudo, mas tudo o que um neto pode (e não pode) pedir. Como a neta mais velha, tive muitos, mas muitos privilégios. O lugar principal na mesa, ao lado da vovó e do vovô. Cada vez que eles se mudavam, eu ganhava um balanço no quintal, com direito a escolha da cor. Ele não tinha como ser mais atencioso. Não era de dar colo ou fazer cafunés, mas tinha sempre um enorme sorriso no rosto, um jeito todo bonachão, que me deixava feliz só de ver.

Quando recebi a notícia hoje, fiquei meio anestesiada a princípio. Então comecei a lembrar de toda a minha infância colorida, dos balanços, dos doces, do sorriso… e pensei que meu filho não conhecerá nenhum de seus bisavôs.

E chorei.  E meu filho chorou comigo, penalizado pela dor da mamãe, repetindo a frase que eu lhe disse, que o “biso” foi morar com papai do céu. Mas daí pensei que agora, ele pode conhecer meu filho. E está em paz, livre das doenças. E voltei a sorrir. E meu filho, sorriu comigo, um alívio claro no seu rostinho infantil, ao perceber que o dodói da mamãe estava passando.

Serão tempos difíceis para minha avó, mas ela sabe que pode sempre contar com todos nós, seus filhos, netas e bisneto e bisneta.

Vá em paz, Vô Benedito, que Deus o tenha.

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  1. chica (40 comments)

    Meus sentimentos.Tão triste isso,não?

    Fica bem! beijos,chica

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