Minha primeira lembrança de uma festa na escola de Dia das Mães é da primeira série.
Lembro da turminha reunida, cantando “Amigo” do Rei, adaptada para o feminino.
Lembro da minha mãe, assistindo, vertendo lágrimas, e me fazendo chorar também.
31 anos depois, estou eu, de folga, às 14h, curtindo um supermercado “mara”, quando meu celular toca – era a professora do Arthur, me avisando da festinha para as mães, que ia acontecer hoje, às 16h, no ginásio da escola. Arthur esteve mais uma vez doentinho e ficou uma semana de molho em casa. Voei com as compras, voei pra casa, me arrumei e voei pra escola.
Estávamos todas lá, no meio do ginásio, quando a turminha dele entrou. E ele apareceu, de mão dada com a Pedagoga da escola, meio cabisbaixo, até talvez meio preocupado. Comecei a pagar aqueles micos federais que eu adoro pagar, agitando os braços, chamando por ele. O anjinho me viu, e seus olhinhos se iluminaram, o sorriso se abriu, numa felicidade enorme, só por me ver lá – e eu não resisti. Chorei, que nem criança, feliz por minha presença deixar aquele serzinho tão feliz, e profundamente orgulhosa do meu filhote, todo felicidade, com um coraçãozão vermelho pendurado no peito.
E eles cantaram – em inglês! E meu filhote cantava, e dançava, e mandava beijos, seguia a coreografia da tia direitinho! E meu coração cantava com ele, mergulhado numa sensação totalmente nova, me senti flutuando, no meu mundo só tinha ele – eu só tinha olhos pra ele.
Acho que isso é o tão falado Amor de Mãe – amor sem começo, meio e sem fim – indescritível.

















