
Desde que descobri a blogosfera, eu estou sempre antenada com as conversas que rolam entre as mães blogueiras, dando um pitaco aqui, um ali, abordando aqui e aqui assuntos que considero muito importantes na criação de nossos filhotes, como amamentação, sono, transição para alimentos sólidos, desenvolvimento … e a temida birra.
O que sempre me assombrou desde que me descobri grávida, era como EU ia reagir às birras do Arthur. Afinal, eu NÃO sou um poço de paciência e se tinha algo que me tirava do eixo, era ver criança se jogando no chão e berrando pra chamar a atenção.
Um belo dia, a Flávia, Mãe do Astronauta, criou a “Série Birras“, na qual ela aborda com brilhantismo todos os aspectos da dita cuja, desde definição, até como reagir e a necessidade de ver a birra acontecer.
O que mais me marcou foi essa frase que ela disse:
“Ama-me quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso.”
- eu me emociono sempre que leio essa frase, encaro como um bálsamo que com certeza todas vamos precisar em algum estágio da vida.
Enfim, Arthur começou a testar seus limites com o mundo.
Ele está com um ano e um mês, e já dá mostras de sua personalidade forte. Não gosta do trocador, não gosta de demora na troca de roupa e NÃO gosta de ter nenhum objeto retirado de suas mãos.
É aí que ele faz a temida birra: já chora com cara de bravinho (é fofo até assim!), ou joga brinquedos e biscoitos longe … e neste fim-de-semana, ele experimentou jogar-se no chão.
De tudo que aprendi com a Flávia e também com a Letícia, mãe da Laurinha, de 2 anos, me preocupei muito, mas muito mesmo com duas coisas:
1 – Nunca, JAMAIS, perder a paciência;
2 – Lembrar de distraí-lo do objeto de desejo (causa da crise).
Pra mim, a base de resolver uma crise de birra está aí. Mas o problema maior era, principalmente pra mim, o “pensar rápido”, pois os especialistas dizem que em dois minutos a criança já não se lembra mais do motivo da crise, e as birras tendem a ser piores e mais longas.
Bom, na primeira vez, eu tirei da mão dele um pente que ele insistia em por na boca e correr com o bendito “abocanhado”. Parou, olhou pra mim e abriu o berreiro. Peguei um brinquedo no quarto, me abaixei e fiquei olho-no-olho com ele e disse:
” – Filho, pente faz dodói, pega aqui o boneco” – ainda não sei se ele entendeu o “dodói”, mas o fato é que ele se acalmou e nem quis o brinquedo…
Na segunda vez, ele estava fazendo “lambança” com a papinha no cadeirão. Lembrei de um conselho também que diz pra não deixar a dita ir muito longe, precisamos de limites. Tirei o prato e a colher e ofereci um biscoito, que foi jogado longe, e o berreiro começou. Olhei bem nos olhinhos dele e disse:
“- Comida não é brinquedo, olha aqui, brinca com o boneco.” – e comecei a distraí-lo, cantando e me balançando na cadeira. Deu certo, ele aquietou na hora.
A terceira vez foi dureza: ele estava de novo com um objeto perigoso nas mãos (nem lembro mais o que era). Parei na frente dele, me abaixei e propus trocar por um brinquedo dele. Não quis dar. Tentei distraí-lo e trocar os “brinquedos”, e sabem o que ele fez? Jogou o brinquedo longe, sentou no chão e abriu o berreiro (seu recurso preferido de lá pra cá). Meio em pânico, estudei a cena, tentando NÃO perder a paciência e mentalizar o tempo que perdia enquanto tentava achar uma solução. Tentei conversar, distrair, levantá-lo… até que parei, olhei pra ele e disse:
“- Mamãe vai embora, vem comigo?” – Ainda não sei se foi a melhor solução, mas ele parou na hora de chorar e veio pro meu colo, já conversando em bebelês, como se estivesse escolhendo pra onde íamos…ehehehe
Enfim, o que quero considerar aqui é a importância de quebrarmos esse tabu de que birra é desobediência por desobediência. O bebê está sim estudando seus limites, mas não age de caso pensado, é a mesma coisa que pensar que um bebezinho de 6 meses chora para manipular seus pais. É muito importante estudarmos a causa da birra, e ver até onde vale a pena “comprarmos a briga” – particularmente eu acho que vale sempre a pena, pois essas crises surgem exatamente porque estamos tentando evitar acidentes, ou ensinar a criança como agir corretamente.
E fiquei muito feliz, por meu autocontrole, e posso dizer que a maternidade me modificou sim, pra muito melhor, estou infinitamente mais paciente, e quem me conhece sabe que paciência nunca foi uma de minhas virtudes…ehehehe
Agora, eu ainda preciso melhorar muito no quesito “humor-depois-de-uma-noite-mal-dormida” – este está difícil, mas um dia eu chego lá…eheheheh
Beijo grande!
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